Sou Raquel Gandra (RJ, 1986). Artista visual, cineasta, fotógrafa, curadora e produtora cultural. Mestre em Belas Artes e bacharel em Comunicação/Audiovisual, ambas pela UFRJ, com ênfase em cinema e vídeo, e atualmente doutoranda em Artes pela UFMG, construí meu percurso artístico na fronteira entre múltiplos suportes e linguagens — vídeoarte, cinema, TV, performance, vídeo e fotografia —, sempre atravessada por uma inclinação ao desvio da narrativa clássica e por um interesse no suporte, seja qual for, como local privilegiado de exploração da linguagem e de questionamento do olhar e da própria realidade. Minha trajetória no audiovisual passou por praticamente todas as etapas do fazer cinematográfico — Still, Assistente de Câmera, Montadora, Assistente de Montagem, Logger, VideoAssist, Câmera, Diretora de Fotografia, Projecionista, Assistente de curadoria para seleção de programação em festivais de cinema, Diretora de making of e Produtora —, uma imersão prática que se somou a um percurso crítico, com artigos, resenhas e coberturas de festivais para a revista online de arte e cultura Ambrosia. Realizei ainda, de forma autônoma e independente, mais de dez curtas-metragens de autoria própria, selecionados e premiados em festivais de cinema no Brasil e no exterior. Esse percurso sempre se configurou pela união entre teoria e prática, entre estudo acadêmico e experiência direta no mundo: um ano de intercâmbio em Cinema na Université Paris VIII (Saint-Denis), em 2009, e uma especialização em fotografia através do Master em Fotografia Artística e Documental no IPCI-Porto, Portugal, entre 2018 e 2019 — período em que aprofundei meu envolvimento com a fotografia analógica, hoje um dos eixos centrais da minha prática. O trabalho com o analógico nasce do desejo de incorporar o inesperado como parte intrínseca do processo criativo: entendo o dispositivo fotográfico não apenas como ferramenta de captura da realidade, mas como espaço fortuito de experimentação, onde a imprecisão, o grão e as variações próprias do processo compõem, junto à intuição e à curiosidade, algo sempre novo. Essa abrangência de meios e processos me permitiu fluir entre diferentes registros, interseccionados por interesses que sempre me aproximaram de imagens expressivas e porosas — muito mais do que precisas e miméticas —, numa abordagem que mistura perspectivas documentais e ensaísticas/artísticas.